|
 |
 |

A série "FIGURAS" que expus no Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, foi especialmente marcante, não só por ter sido a primeira vez que mostrava trabalhos tendo como foco o ser humano, como pelo fato de ter o privilégio de mostrá-los no museu no qual fiz cursos importantíssimos na minha trajetória, era como se fosse a volta a um dos pontos de partida. Nessa série mostrei o ser humano em suas dimensões religiosa, do trabalho e psico-afetiva. Ela foi ao mesmo tempo uma exposição e uma imposição de um sentimento interno de amor e inquietação diante da condição de humano. Tive realmente um prazer especial em fazê-la. Essa mostra teve apresentação do artista plástico Luciano Pinheiro que escreveu: " As pinturas recentes de Antônio Mendes me surpreenderam, pois só conhecia seus trabalhos relacionados à paisagem pernambucana e olindense em especial, bem como a série de maracatus. Estas que serão expostas no MAC têm o ser humano como tema, em três vertentes distintas, relacionadas ao trabalho, à religiosidade e às emoções psíquicas interiores.
Mendes, herdeiro do figurativo pernambucano, hoje tão execrado aos olhos da elite aculturada e sábios da incomunicabilidade, não pretende revolucionar, mas procura no exercício dedicado da arte, a qualidade e a coerência no que faz. E consegue, na maioria das pinturas que compõem esta mostra, tanto no que diz respeito à técnica e à plasticidade resultante do uso correto e por vezes arriscado das cores, quanto ao tema tão objetivo que não se faz necessário um compêndio explicativo para sua compreensão. Sua arte é acessível e tem qualidades. A idéia do homem identificado por inteiro, o ambiente e o trabalho dignificante a exemplo dos "Trabalhadores da cana-de-açucar" e "seu Neco da mercearia dos quatro cantos".
Raramente resvala para a crítica social como é o caso de "Mulher e crianças no lixão", face degradante do trabalho e da condição humana. O homem e sua religiosidade identificados no "Guerreiro São Jorge" e no expressivo quadro "Acolhimento" (deusa aidética), onde revela o lado sublime da fatalidade e a vertente psíquica que inicia-se no tríptico "Retratos 3x4" e desenvolve-se em outros com rostos e expressões fisionômicas da alegria ao grito de dor, auto-retratos do artista em transe? Nascimento e crescimento, "sobre a morte e o morrer" em tela quase escura, quase sombra, quase ausência...
Para Mendes , uma certeza: a maior paisagem ainda é o homem.
Olinda, 15/08/2001 |
| |
|
|
 |
|
 |
|
|